Derivativos financeiros: o que são e por que usá-los na empresa?
A gestão financeira empresarial envolve lidar com incertezas constantes. Elas vão da flutuação do dólar à variação nos preços de commodities e às oscilações nas taxas de juros. Assim, surge a dúvida: como proteger seu caixa desses fatores? É aqui que entram os derivativos.
Derivativos são instrumentos financeiros que podem mitigar riscos e oferecer maior previsibilidade. Embora mais conhecido nos investimentos, também representa uma ferramenta estratégica para empresas, especialmente na gestão de riscos de caixa e custos operacionais.
Neste conteúdo, você aprenderá o que são derivativos, como eles funcionam e quais são os cuidados necessários na sua utilização. Acompanhe a leitura e confira!
O que são derivativos?
Os derivativos são contratos financeiros cujo preço depende de outro ativo. Por exemplo, sua precificação pode seguir o desempenho de um índice, uma moeda, uma taxa de juros ou até ações negociadas no mercado.
A principal característica dos derivativos é que os termos da contratação são definidos no presente e a liquidação ocorre em uma data futura. O contrato estabelece previamente determinadas condições que só serão efetivadas em uma data futura pré-estabelecida — como preço, quantidade e data de vencimento.
Dessa forma, diferentemente de um ativo tradicional, comprado e liquidado no ato, um derivativo funciona como um compromisso futuro.
Por exemplo, um contrato futuro de dólar permite à empresa se proteger de oscilações cambiais ao estabelecer hoje um compromisso de compra ou venda da moeda em uma data futura. Dessa forma, é possível reduzir o impacto de uma valorização do dólar sobre o fluxo de caixa.
Conheça os principais tipos de derivativos!
Contrato a termo
O contrato a termo é um acordo feito entre duas partes para comprar ou vender um ativo em uma data futura por um preço definido no momento da contratação.
Para entender melhor, pense em uma empresa aérea, que pode fechar um contrato a termo para comprar combustível a um preço determinado para a entrega em três meses. Mesmo que o custo do petróleo suba nesse período, a cotação acordada no contrato protege a companhia contra esse aumento.
Contrato futuro
O contrato futuro é um derivativo que permite ao contratante se posicionar na posição “comprado” ou “vendido” em relação ao preço esperado de um ativo no futuro. Ele é padronizado e negociado na bolsa de valores, passando por ajustes diários de preço, refletindo as oscilações do mercado até o vencimento.
Para ilustrar, considere que um produtor de café se posiciona “vendido” em contratos futuros na bolsa para reduzir o impacto de quedas no preço de sua safra de café.
Nessa hipótese, se o café se desvalorizar, eventuais perdas na venda física podem ser compensadas pelo resultado positivo do contrato futuro, proporcionando maior previsibilidade de receita.
Options
Options são derivativos que concedem ao contratante o direito de comprar (call) ou vender (put) um ativo em uma data futura, por um preço previamente estabelecido. Note que aqui não há uma obrigação, mas uma possibilidade.
Por exemplo, uma empresa com dívidas em dólar pode comprar uma call da moeda, pagando um prêmio pelo direito de adquiri-la a um preço determinado. Se o dólar subir, a companhia pode exercer o direito de compra, adquirindo dólares pela cotação combinada — abaixo da vigente no futuro.
Agora, se houver desvalorização da moeda norte-americana, a companhia tem a alternativa de deixar a opção expirar. Como resultado, ela terá perdido apenas o prêmio pago na compra desse derivativo.
Swaps
Os swaps são contratos que permitem a troca de riscos de diferentes ativos entre duas partes. Tais ativos podem ser taxas de juros ou câmbio.
Considere uma empresa com empréstimos atrelados à Selic — taxa básica de juros no Brasil. Ela pode firmar um swap para trocar sua exposição por uma taxa fixa. Dessa maneira, há a redução do impacto das oscilações da taxa sobre seus custos financeiros.
Como os derivativos podem ser utilizados por empresas?
A principal aplicação dos derivativos pelas empresas está no hedge financeiro. Ele representa a proteção contra riscos de mercado que poderiam afetar o negócio.
Assim, empreendimentos de diversos setores buscam reduzir a exposição à volatilidade de preços de insumos, moedas, taxas de câmbio ou juros. Para uma melhor compreensão, acompanhe exemplos:
- agronegócio: um produtor de soja usa contratos futuros para proteger o preço da saca antes da colheita. A medida permite ter rentabilidade mesmo em caso de queda da cotação do grão;
- indústria: uma montadora que importa peças em dólar utiliza swaps ou contratos futuros para reduzir o impacto da oscilação cambial sobre os custos e proteger seu caixa;
- comércio exterior: uma empresa exportadora se apoia em derivativos para projetar mais precisamente sua receita futura, mesmo com o dólar flutuando.
Em empresas de maior porte, os derivativos geralmente são parte de uma estrutura robusta de gestão de risco corporativo, integrada à área financeira. Já em negócios menores, o uso é mais pontual, porém, não menos importante. Ele é especialmente relevante em cadeias produtivas sensíveis a variações externas.
Quais são os benefícios de operações com derivativos?
Os derivativos são vantajosos em certas ocasiões. Confira os benefícios que os acompanham e justificam sua adoção pelas empresas!
Maior previsibilidade de custos
Ao utilizar derivativos para ter mais previsibilidade sobre preços ou taxas, a empresa reduz a incerteza sobre seus custos operacionais e financeiros. Consequentemente, seu planejamento é facilitado, havendo uma melhora na eficiência da gestão orçamentária.
Proteção do capital
Os derivativos podem funcionar como um escudo contra perdas decorrentes de movimentos adversos no mercado. A proteção oferecida por eles ajuda a preservar a margem de lucro e evitar prejuízos inesperados.
Segurança na tomada de decisão financeira
Com os riscos mapeados e parcialmente cobertos pelos derivativos, uma empresa pode tomar decisões com mais clareza e confiança. O negócio ganha mais visibilidade financeira, fundamental para definir estratégias de longo prazo.
Quais são os riscos envolvendo derivativos?
Apesar de suas vantagens, os derivativos não são isentos de riscos. Eles devem ser conhecidos para os empreendimentos saberem reconhecer quais são os momentos ideais para usá-los.
Entre os riscos que merecem atenção, estão:
- complexidade: os derivativos são contratos com especificações técnicas. Devido à complexidade, eventuais erros de operação, cálculo ou interpretação podem gerar consequências financeiras relevantes;
- alavancagem: operar com mais dinheiro do que o disponível no caixa da empresa permite acesso a oportunidades e ganhos. Contudo, a prática abre brechas para perdas e endividamento, apesar de ser mais comum na especulação;
- volatilidade: mesmo quando usados para proteção, os derivativos estão sujeitos à flutuação de mercado. Desse modo, movimentos abruptos prejudicam operações mal planejadas.
Por essas razões, é ideal que a empresa conte com suporte especializado. Profissionais qualificados podem ajudar a montar operações alinhadas ao perfil e à necessidade real do negócio.
Neste conteúdo, você conheceu os derivativos financeiros e aprendeu como eles se apresentam como um instrumento de proteção para empresas. Conforme visto, esses contratos oferecem benefícios, mas requerem atenção.
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